Viver sem bullying

A história do Homem foi sempre caracterizada por fenómenos de agressão, difamação, insultos, ameaças, exclusão social, ofensas, entre outros. No entanto, até 1710, ano em que o termo bullying foi validado, não havia um nome que identificasse este tipo de comportamento.

De um modo muito sintético, o bullying é o termo, de origem inglesa, que designa o uso de força física, ameaças ou coerção para abusar, intimidar ou dominar agressivamente outras pessoas, de forma frequente e habitual.

Não obstante não haver uma definição universal, pode afirmar-se que existe um grande consenso relativamente à noção de que o bullying é uma manifestação de um comportamento agressivo, caracterizada no mínimo por três aspetos, nomeadamente: intenção hostil, desequilíbrio de poder e repetição ao longo do tempo.

Foi só na década de 1970 que foram realizadas pesquisas com o objetivo de investigar este fenómeno e de tentar perceber porque é que ele ocorria e qual o seu impacto nos indivíduos e na sociedade.

Quando pensamos nas crianças e jovens em idade escolar, verifica-se que o bullying físico, o verbal e o relacional são os mais frequentes, sendo o cyberbullying mais comum ao nível do secundário. De acordo com as estatísticas, o bullying afeta cerca de 150 milhões de crianças e jovens em todo o mundo.

A vivência de uma situação destas por parte das crianças/jovens pode repercutir-se negativamente nas suas vidas atuais e/ou futuras, provocando manifestações como medo, ansiedade, recusa em ir à escola, baixo rendimento escolar, depressão e doenças psicossomáticas, entre outras. 

Nos dias de hoje, quem trabalha diretamente com crianças e jovens, percebe que esta problemática está cada vez mais presente. De facto, seja pela personalidade das próprias crianças ou jovens, pela influência das redes sociais ou até pelos estilos parentais, o bullying assumiu uma dimensão sinistra, tornando-se implacável, constante e inevitável para as vítimas.

O mais comum é falarmos das vítimas, mas, talvez tão relevantes como aquelas, são os agressores, pois muitas vezes estes são crianças que vivem pressões familiares, que repetem comportamentos a que assistem em casa e, por vezes, são eles próprios vítimas de violência física e/ou psicológica.

Tendo por base o exposto, é importante que estejamos próximos destas crianças e jovens, sejam as vítimas ou os agressores, pois todos nós, enquanto cidadãos, temos obrigação de implementar medidas preventivas e informativas sobre o bullying.

De facto, esta é uma tarefa para todos, desde a família, aos professores, aos assistentes operacionais, não esquecendo os psicólogos, os assistentes sociais, os educadores sociais e todos aqueles que trabalham diretamente com as crianças e jovens.

Assim, se é verdade que as escolas têm feito muitas campanhas, promovido palestras e envolvido os alunos no desenvolvimento de trabalhos sobre esta temática, também é fundamental que os pais, por sua vez, participem igualmente de modo ativo na tarefa de erradicar o bullying das escolas, facilitando assim que o mesmo seja reduzido na sociedade do futuro.

Para que tal possa acontecer, é determinante que haja uma ação concertada entre a escola e a família, que, em conjunto, deverão estar atentas às situações que possam ocorrer no dia-a-dia das crianças e jovens.

Na realidade, é fundamental que falemos diretamente sobre o bullying com as “nossas” crianças e jovens, sejam filhos ou alunos, pois muitas delas nem percebem que aquilo que se está a passar com elas é bullying e/ou não falam sobre o que sentem por vergonha ou medo.Os estudos revelam que mais de 60% das vítimas de bullying não contam aos pais nem aos amigos o que estão a sentir.

Tendo em consideração que a prevenção começa em casa, torna-se particularmente importante que os pais sejam os primeiros a ajudar os seus filhos, com ações tais como:

Ajude os seus filhos a entenderem o que é o bullying, deste modo será mais fácil eles perceberem se isso está a acontecer com eles ou com outras pessoas.

Explique aos seus filhos como devem lidar com o bullying, caso estejam a ser vítimas, pois desta forma eles vão sentir-se mais seguros para conversarem com um adulto em quem confiam.

Diga aos seus filhos que o assédio moral é inaceitável e que devem denunciar essa situação sempre que lhes aconteça a eles ou aos outros.

– Certifique-se que os seus filhos sabem a quem pedir ajuda.

Converse com os seus filhos regularmente, fazendo perguntas tais como: “O que aconteceu no teu dia?”, “Como é que foi o almoço?”, “Estás a gostar dos temas que estás a estudar?”, “A tua turma é colaborativa?”.

Escute o que os seus filhos têm para lhe contar.

Conheça os amigos dos seus filhos e converse com eles sobre a escola e os seus ideais.

Incentive os seus filhos a fazerem o que mais gostam.

Inscreva os seus filhos em atividades.

Dê exemplos de como tratar os outros com respeito, pois é através dos exemplos que as crianças aprendem.

Apoie os seus filhos, não desvalorize o que eles dizem e não lhes diga para ignorarem as situações de bullying ou para se defenderem da mesma maneira.

– Mantenha os meios de comunicação abertos, pois é importante estar envolvido na comunidade educativa, assistir a palestras, dar testemunho.

 – Esteja atento a sinais de alerta.

De facto, como pais, devemos estar atentos aos comportamentos dos nossos filhos, pois aqueles podem ser sinais de que estão a ser vítimas de bullying. Deste modo, esteja alerta para comportamentos do seu filho tais como:

– Começa a não querer ir para a escola.

– Diz que está doente.

– Começa a isolar-se.

– O desempenho escolar desce de modo inesperado.

– Começa a ter comportamentos mais agressivos em casa.

– É excluído do grupo.

– Tem dificuldades alimentares.

– Manifesta alterações no sono.

Pais, estejam atentos, ajudem os vossos filhos e todos os filhos que precisarem. Vamos começar a fazer a diferença hoje!

Curiosidades:

Em Setembro saiu o Despacho n.º 8404-C/2019 “Escola sem Bullying. Escola sem Violência”.

Outubro foi o mês de prevenção e combate ao Bullying.

Para 2020 está previsto o projeto, “Robotics versus Bullying”, que tem como objetivo usar os robôs na erradicação do bullying em ambiente escolar. Stefano Cobello é o mentor deste projeto que se irá realizar em 10 países da União Europeia, sendo Portugal um deles.

Contactos úteis:

Linha SOS Bullying

  • Telef.: 808 962 006 [2ª a 6ª f. das 11-12h30 e das 18h30-20h]
  • e-mail: bulialuno@anprofessores.pt
  • SOS Estudante – 96 955 45 45 ou 808 200 204 (das 20h à 1h, chamada local)
    Apoio emocional e prevenção do suicídio

S.O.S. Adolescente – 800 202 484

SNS 24 (808 24 24 24), disponível todos os dias, 24 horas por dia

APAV 116 006https://www.youtube.com/watch?v=YtELORVF-_4&app=desktop

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